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A velha mídia, de mal a pior

September 26, 2010

Na quinta-feira (23 de setembro), para alívio e orgulho de todos os jornalistas que defendem a seriedade e a responsabilidade social no exercício da profissão,  um ato organizado pelo Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé, contra o golpismo midiático que se instaurou no país, superlotou o auditório Vladimir Herzog do Sindicato dos Jornalistas no Estado de São Paulo. Há muito não se via um movimento tão grande da categoria.

Não demorou muito para que o desespero e as contradições da velha mídia, historicamente sustentada pelo jogo político de oligarquias detentoras do poder econômico, resultassem em artigos de fundo bombásticos e incoerentes.

O editorial de hoje (domingo, 26 de setembro) d’O Estado de S. Paulo é simbólico neste sentido. Ao tentar negar qualquer atrelamento partidário, o jornal faz um contundente apoio a Serra – porque só ele conseguiria evitar “um grande mal para o País.”

O que vem adiante é um esmagador ataque ao presidente Lula: “agora o dono do PT passou a investir pesado na empulhação de que a Imprensa denuncia a corrupção que degrada seu governo por motivos partidários.”

Mais ainda: “O que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais. Isso todos os candidatos prometem e têm condições de fazer. O que o eleitor decidirá de mais importante é se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção.”

A partir daqui, surpresa! o redator volta atrás, para praticamente desmentir tudo o que escreveu antes: “Luiz Inácio Lula da Silva está chegando ao final de seus dois mandatos com níveis de popularidade sem precedentes, alavancados por realizações das quais ele e todos os brasileiros podem se orgulhar, tanto no prosseguimento e aceleração da ingente tarefa – iniciada nos governos de Itamar Franco e Fernando Henrique – de promover o desenvolvimento econômico quanto na ampliação dos programas que têm permitido a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana. Sob esses aspectos o Brasil evoluiu e é hoje, sem sombra de dúvida, um país melhor.”

O raciocínio açodado do editorialista abandonou de vez qualquer laivo de coerência. Como naqueles exercícios de sofisma que fazíamos no colégio, todas as proposições  lançadas no texto, qualquer que seja a ordem em que as organizemos, levam a conclusões diferentes das que o próprio texto propõe:

Se a corrupção degrada o governo Lula, e se Lula submete o interesse coletivo aos interesses de sua facção, como Lula pode ter promovido o crescimento econômico com distribuição dos dividendos sociais?

Se Lula e Dilma submetem o interesse coletivo ao interesse de sua facção, como todos os brasileiros podem se orgulhar das realizações do governo do PT, que permitiu “a incorporação de milhões de brasileiros a condições materiais de vida minimamente compatíveis com as exigências da dignidade humana”?

Se nestes últimos oito anos o país evoluiu e é hoje, “sem sombra de dúvida, um país melhor”, por que só o Serra (que mereceu só três linhas de todo o texto) poderia evitar “um grande mal para o País”?

As respostas o editorialista bem sabe, mas não pode escrever: a “facção” de Lula e de Dilma são, e sempre foram, os trabalhadores de todo o Brasil. E o “grande mal” que só o Serra poderia evitar é o fim da farra dos oligopólios midiáticos, que enchem os bolsos à custa de favorecer políticos e empresas pouco escrupulosos.

Veja

A revista Veja, que traz na capa desta semana a manchete A liberdade sob ataque,  acusa o presidente Lula e o PT de nutrirem “ódio à imprensa livre” por conta da “revelação de evidências irrefutáveis de corrupção no Palácio do Planalto.” A revista vai além, e garante que Lula e o PT “sacam do autoritarismo e atiram na imprensa.”

Sem nenhuma ofensa aos leitores da revista, qualquer néscio compreende que, quando há autoritarismo, notícias sobre corrupção em órgãos de governo não conseguem sair da escrivaninha do diretor de redação. Imagine só o que aconteceria, então, com matérias especulativas sobre “evidências irrefutáveis de corrupção…”

O Brasil está mesmo mudando. Quem não muda é o PIG (Partido da Imprensa Golpista), que finge apartidarismo e usa o discurso do medo para angariar eleitores para Serra. Exatamente como Regina Duarte fez em 2002.

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