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Imprensa golpista cai no ridículo

September 8, 2010

Sem ter como defender a candidatura de Serra por seus próprios méritos, a Folha de S. Paulo chegou ao cúmulo da apelação neste domingo, com a manchete  “Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma”. O desvario, desta vez, foi tão longe que tomou conta do twitter e ganhou o mundo com matéria no  “The Independent”.

Mas a Folha não é o único representante da imprensa golpista que anda com medo de perder o rentável cargo de porta-voz de endinheirados representantes da direita brasileira. A Rede de Comunicadores pela Reforma Agrária mostra mais um atentado à ética jornalística – desta vez cometido pelo Portal Terra:

Ignorância ou má vontade?

Enquanto no Parlamento a direita arregaça as mangas para voltar a gastar dinheiro público com uma CPMI criada apenas para criminalizar a luta por Reforma Agrária, alguns veículos e indivíduos da grande imprensa do Brasil se mostram capazes de nos surpreender com exemplos cada vez mais peremptórios de anti-profissionalismo e desprezo à ética jornalística.

Matéria (????!!!) publicada pelo portal Terra nesta quarta-feira (1/9) tenta deslegitimar, a um só tempo, uma candidatura de esquerda, um plebiscito popular, a Reforma Agrária e os movimentos sociais brasileiros. É de arrepiar!

Vejamos:

Plínio defende limite de propriedade, mas exclui seus bens

João Pequeno

Direto do Rio de Janeiro

O candidato à presidência pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio defendeu a limitação das propriedades privadas de terra ao iniciar seu (como se o candidato fosse dono do Plebiscito) plebiscito informal (sem valor legal), nesta quarta-feira (1), no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS), da UFRJ. Questionado pelo humorista Rafael Cortez, do CQC, da Band, sobre se não deveria começar a reforma agrária por seus bens, Plínio, que pertence à família tradicional (vale comentar a crase mal empregada?), saiu pela tangente (quanta isenção!), ressaltando que a votação é apenas sobre propriedades rurais. Ele frisou que perde dinheiro em sua campanha. (Então quer dizer que pertencer a uma família tradicional o impede de querer ver o Brasil sem a dominação dessas famílias???)

Plínio usou os dados do Censo Agropecuário de 2009, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para defender a limitação do tamanho das fazendas privadas. “A maior parte dos alimentos produzidos vem da agricultura familiar”, ressaltou.

A distribuição em larga escala desses alimentos é promovida, porém, em parceria com grandes empresas – como o próprio Plínio admitiu, após ser questionado pelo Terra , e não pelo modelo de assentamentos defendido pelo MST e pela CPT. (Manipulação grosseira! O que Plinío “admitiu”, na realidade, é que a distribuição em larga escala é aquela que o agronegócio exporta em forma de commodities, e nada tem a ver com alimento.)

O plebiscito pela limitação das terras é apoiado por organizações como a CPT (Comissão Pastoral da Terra), da Igreja Católica, e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra).

A campanha pede limite máximo de 35 módulos fiscais – unidade definida pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) de forma tão variável que pode ir de 5 a 110 hectares, dependendo da região. Não é prevista nenhuma limitação para propriedade estatal.

Proibida nas eleições, a boca de urna é praticamente uma regra no plebiscito informal, cujas urnas foram espalhadas por diversas outras universidades, como Uerj e Uni-Rio. Junto à urna, voluntárias da campanha recolhem assinaturas para um abaixo-assinado a favor da causa. (Um belo jeito de confundir o leitor e deslegitimar a consulta popular. O material distribuído junto às urnas nada mais é que uma tentativa de fazer chegar à população o que a imprensa burguesa faz questão de esconder: a concentração absurda de terras em nosso país).

Elas distribuem um folheto e um folder. O primeiro mostra “dez respostas para uma pergunta: por que as propriedades rurais de terra no Brasil precisam de um limite máximo de tamanho?”. A primeira “resposta” afirma que a concentração de terras é a grande responsável pela miséria e fome em nosso país.

Nenhuma pesquisa que comprove a afirmação é apresentada, mas a própria cédula de votação oferece respostas em suas duas questões, perguntando se o votante concorda primeiro “que as grandes propriedades rurais de terra no Brasil devem ter um limite máximo de tamanho” e, em seguida, se “concorda que o limite (…) pode aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade”. (Se o jornalista (???!!!!) se desse ao trabalho de ler minimamente o material, constataria que os textos estão repletos de informações do Censo Agropecuário do IBGE)

O folder, por sua vez, atribui à “contração de terras no latifúndio e grandes empresas” como “responsável pelos conflitos e a violência no campo nos últimos 25 campos”, omitindo que boa parte dessas ocorrências deve-se a ações do próprio MST, um dos apoiadores da campanha. (Opa, opa! Quem é mesmo que está afirmando sem provar?)

Em junho, o próprio Plínio de Arruda Sampaio, durante palestra na Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), defendeu depredações do MST, alegando que “é o jeito de chamar atenção”. “Quando me perguntaram, no Senado o que eu achava de quebrarem três mil árvores da Cutrale, respondi que o MST errou, pois deveriam ter queimado 30 mil. Sabe quantos laranjais ela tem? Um milhão”, disse.

Pra refletir: isso é que é jornalismo?

Parece que nem o próprio Terra pôde suportar um texto tão mal feito e enviesado. Tanto que alguma cabeça mais ajuizada suprimiu alguns trechos da sofrível matéria, que parece ter sido escrita com muita má vontade. Ou será ignorância?

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