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Folha em campanha. Parece piada

July 29, 2010

Depois de dar com os burros n’água com a história do falso dossiê que o PT teria montado contra Serra, a Folha vira o jogo hoje (quinta, 29 de julho) e mostra quem é que pretende investir pesado nessa coisa de boataria e especulação.

Matéria de Josias de Souza (Comitê de Serra cria esquadrão antiboato) revela que o candidato tucano vai contratar 15 equipes de “repórteres” (provavelmente todos formados pelo padrão Folha de jornalismo) com a missão de procurar boatos pelo país e transformá-los em relatórios para o núcleo de marketing da campanha.

Um desses boatos já teria instigado pergunta enviada ao tucano pelo Twitter, sobre uma possível privatização do Banco do Brasil. Serra chamou a isso de “terrorismo eleitoral”. Ou seja: a visão que o candidato tem dos eleitores é de que somos todos uma massa de manobra não-pensante e altamente influenciável  por terroristas de ocasião. Quem teme a privatização tucana estaria, portanto, contaminado pela boataria subversiva de cabos eleitorais do PT. Nada a ver com o que o PSDB  fez com o Banespa, com a Nossa Caixa, com a Telesp e com as rodovias paulistas.

Mas eis que, em outra matéria da mesma Folha de hoje (Tucano usará temas polêmicos para confrontar Dilma), boatos ainda piores viram “temas polêmicos”. Pois é.

Afirma a Folha: “O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, definiu, em conversa com aliados, como estratégia de campanha a abordagem de temas desconfortáveis ao PT. A ideia é tocar em pontos polêmicos para chamar a adversária petista, Dilma Rousseff, para o confronto.”

Advinhem quais são os “temas polêmicos”? Relação do PT com o MST, combate às drogas e fiscalização das fronteiras (alguém falou em Farcs e narcotráfico?). Nenhum boato, certo? Só temas polêmicos….

Mas as pérolas da Folha não acabam por aí.

Tem o editorial (Eleições.com), que traz uma pesquisa (de quem? Do Datafolha, claro!), comprovando que jornais influenciam mais o eleitor brasileiro que a internet.

Vejam o que diz a Folha: “Como não é difícil constatar, internautas atuam em blogs e redes sociais para reforçar opiniões já formadas, oferecer material de campanha a militantes e tentar influenciar os veículos tradicionais. Esse tipo de atuação contribui para reforçar mais um problema: a facilidade com que, no mundo on-line, circulam boatos, notícias forjadas e opiniões comprometidas.” Leia-se: opiniões não-comprometidas com as da própria Folha, certo? Porque, com a internet, não dá para editar respostas dos leitores. É forçoso suportá-las na íntegra, no espaço da blogosfera…

Tem também matéria sobre o fenômeno de audiência no Youtube, o Dilmaboy (“Dilmaboy” diz que está “aberto a negociações” com PT), insinuando possíveis interesses financeiros por trás do apoio político do rapaz à campanha de Dilma Rousseff.

E tem até a Regina Duarte, que afirma categoricamente que (depois da declaração desastrosa de 2002)  ‘aprendeu a ficar quieta.

Sinceramente: tudo isso  seria cômico, se não fosse muito trágico para o jornalismo brasileiro. Cada vez mais, a Folha faz de uma atividade profissional que deveria servir à informação e à análise, um palanque azul e amarelo.

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